Christian Bayon

O encontro com dois mestres
mudou a minha vida.

Responsável:
Christian Bayon

Morada:
Rua do Borja, Nº 55 – 1º CV ESQ.
1350-045 Lisboa

Telefone:
+351 21 397 02 56

Site:
www.christianbayon.com

E-mail:
christianbayon@hotmail.com

Áreas de Trabalho

Conservação e restauro de instrumentos de corda / Construção de instrumentos de corda / Construtor de violinos / Construtor de violoncelos / Luthier / Reparação e restauro de instrumentos musicais / Reparação e restauro de instrumentos musicais de corda / Restauro

Maquinaria

Aplanadora / Serra de fita / Lixadeiras / Aspirador para máquinas

Área

65 m2

Aberta desde

1990
Christian Bayon – Fotografias: Mariella Gentile

Chega à profissão pelo amor à música, que vem desde criança.

Chega à profissão pelo amor à música, que vem desde criança. Começa por se interessar pela construção de violas, que tocava e, em 1976, durante as férias, constrói um Bandolim, ainda como autodidata e com o apoio de artigos encontrados em revistas da especialidade. É o seu primeiro instrumento. Na altura trabalha na Marinha francesa, onde entra aos dezasseis anos e permanece durante seis anos, trabalhando como técnico dos sistemas hidráulicos dos aviões de caça, embarcado no porta-aviões Foch. Completamente por acaso, porque nunca tinha tido qualquer contacto com o violino, encontra um livro numa biblioteca em Saint-Malo em França sobre a construção de violinos. Tinha ouvido dizer que o violino era, de todos os instrumentos, o mais difícil de construir e pensa que, se fosse capaz de construir um violino, seria também capaz de construir qualquer outro instrumento. Com a ajuda desse livro, constrói o seu primeiro violino ao longo de oito meses, deixando, nesse período, de tocar e de querer construir violas: saía do trabalho às 17:00 e às 17:30 já estava a construir violinos, até à meia-noite. Em 1977 sai da Marinha para continuar a construir violinos a tempo inteiro. Até 1979 faz dez instrumentos e, nesse ano, recebe um prémio em França bastante mediatizado chamado Bourse de la Vocation [Bolsa da Vocação]. Nessa ocasião, encontrou dois grandes Luthiers: Jean Schmidt em Lyon e Etienne Vatelot em Paris, sendo este último o Luthier mais importante do mundo na altura. O encontro com estes dois mestres mudou a sua vida, aprendendo com eles a profissão ao longo de cinco anos. A partir dessa experiência, o que era complicado passou a ser relativamente fácil e em 1984 abre o seu próprio ateliê em Morlaix, na Bretanha, em França, e começou a trabalhar por conta própria.

Nos anos 1990, em França, numa cidade com uma orquestra, havia facilmente três luthiers. Em Portugal, a situação era outra.

Em 1990 decide vir para Portugal por razões de trabalho: em França, numa cidade com uma orquestra, havia facilmente três luthiers. Em Portugal, a situação era outra, o que fazia com que os músicos se deslocassem a Lyon, a Paris, à Suíça, etc. Pensou, portanto, que seria mais fácil instalar-se num sítio onde não havia muita concorrência. Resultou.

Trabalhou em muitos violinos de Stradivari: é curador há 25 anos do único Stradivari que existe em Portugal, um violoncelo que pertenceu ao rei D. Luís e que está no museu da música, o Stradivari 1725 "Chevillard-King of Portugal". Trabalhou para músicos famosos no mundo com instrumentos prestigiosos das marcas Stradivari, Guarneri, Montagnana, como Augustin Dumay, Truls Mork, Jian Wang, Maxime Vengerov, Shlomo Mintz, Daniel Muller-Schott, Lynn Harrell. Solistas como Tedi Papavrami, Alina Pogotskina, Isabelle Van Keulen, Augustin Dumay, Michal Kaňka (Prazak Quartet), Silvia Simionescu, Pavel Gomziakov, Justus Grimm, Liana Gourdjia, Rosemary Warren-Green, Helena Wood, Vladimir Spivakov e Tatiana Samouil tocam instrumentos de Christian Bayon. É convidado como Luthier residente em vários festivais: International Chamber Music Festival Stavanger, (Noruega), "La Folle Journée" (Nantes, Lisboa, Tóquio), Joaquin Turina International Chamber Music Festival (Espanha), Festa da Música (Portugal). Quando fazia restauro tinha músicos das três orquestras de Lisboa: Orquestra Gulbenkian, Orquestra Sinfónica Portuguesa e Orquestra Metropolitana. Solistas que trabalharam nessas orquestras mantiveram-se fiéis ao seu trabalho, passando por isso a ter clientes a nível internacional, principalmente Europa, Rússia, mas também Japão e América.

Em França, na Alemanha e na Inglaterra há muito interesse em torno das Artes e Ofícios, mas em Portugal o trabalho manual ainda é muito desvalorizado.

Recentemente abriu uma escola em Montemor-o-Novo, portanto há a expetativa de que possa resultar. Nas profissões do artesanato de arte, há muitas coisas difíceis que se fazem no processo até chegar ao resultado final que ninguém vê, pelo que tem de haver muita motivação e uma grande consciência do trabalho. Em França, na Alemanha e na Inglaterra há muito interesse em torno das Artes e Ofícios, mas em Portugal o trabalho manual ainda é muito desvalorizado.